
Categoria: Sustentabilidade
El Retiro: novo centro de investigação ambiental sustentável em Madrid
O Ayuntamiento de Madrid está a avançar com o projecto de execução para o recondicionamento de um edifício localizado no Vivero de Estufas de El Retiro, com o objectivo de o transformar num centro de interpretação dedicado à divulgação e investigação ambiental. A intervenção foi concebida como uma actuação integral, guiada por critérios de sustentabilidade, eficiência energética, reutilização de recursos e melhoria do conforto ambiental, enquadrando-se na estratégia municipal de conservação e valorização dos espaços verdes da cidade.
Vivero de Estufas de El Retiro: história, produção e novo uso
Construído em 1889, o Vivero de Estufas de El Retiro ocupa cerca de 3,5 hectares e reúne estufas históricas consideradas únicas em Espanha, a par de instalações mais recentes. O recinto nasceu para concentrar num único espaço as estufas que então se encontravam dispersas pelo parque e por outros pontos de Madrid, integrando também cajoneras, antigas caldeiras e áreas expositivas, entre as quais se destaca a estufa número 1, onde é preservada uma colecção de ferramentas agrícolas e de jardinagem.
Actualmente, o viveiro continua a funcionar como instalação municipal, com uma elevada produção anual de plantas de época destinadas às zonas verdes da cidade, bem como a eventos públicos e edifícios municipais. Para além da produção, são ali realizados ensaios com novas espécies vegetais e desenvolvidas iniciativas de carácter educativo, como hortas urbanas escolares e actividades de sensibilização ambiental. Desde 2019, o espaço tem vindo a ser alvo de várias intervenções para melhoria da acessibilidade, criação de novas áreas expositivas e reforço da sua vertente pedagógica.
O futuro centro de interpretação reorganizará o edifício existente em vários módulos com usos compatíveis com a actividade do viveiro. Um dos módulos acolherá uma sala de investigação e o respectivo arquivo histórico, reforçando a vertente científica e de memória do espaço. Outro módulo será destinado a sala de projecções, vocacionada para sessões de divulgação, apresentações técnicas e conteúdos audiovisuais sobre biodiversidade, gestão de zonas verdes e adaptação às alterações climáticas. Está ainda prevista uma sala aberta para oficinas, concebida como área flexível para workshops, formação e actividades participativas, preparada para uma eventual climatização futura.
O projecto inclui igualmente a recuperação e adaptação dos serviços existentes ao uso público e às exigências actuais de acessibilidade. O último módulo ficará reservado para armazéns do viveiro e para o quarto de instalações técnicas, integrando num único equipamento produção, investigação, arquivo e participação cidadã. A intervenção tem um orçamento de 850.000 euros e um prazo de execução previsto de sete meses a partir da assinatura da acta de consignação, inserindo-se num plano municipal mais amplo que, desde 2019, já canalizou 112 milhões de euros para 132 actuações em zonas verdes, das quais 113 já concluídas.
Materiais naturais, água da chuva e elevada eficiência energética
Um dos pilares do projecto é a aposta em materiais sustentáveis, recicláveis ou reutilizáveis, privilegiando soluções de baixo impacto ambiental. Destacam-se, nos sistemas de isolamento, a utilização de palha e lã de rocha, materiais que conjugam bom desempenho térmico e acústico com uma pegada ecológica reduzida. O recondicionamento do edifício foi desenhado para garantir elevados níveis de conforto e qualidade ambiental interior, reduzindo significativamente o consumo energético face a construções tradicionais.
A gestão da água é outro aspecto central. O projecto prevê a reutilização de água da chuva, recorrendo ao aproveitamento das coberturas e de antigos poços existentes no recinto. Esta água será canalizada para equipamentos sanitários que não exigem água potável, diminuindo o consumo da rede pública e promovendo um uso mais eficiente dos recursos hídricos. Em paralelo, será instalado um sistema de ventilação mecânica controlada com recuperação de calor, regulado por sondas que monitorizam continuamente os níveis de CO₂ no interior, optimizando a renovação do ar e a qualidade ambiental dos espaços.
A climatização principal basear-se-á num circuito radiante de frio-calor, alimentado por uma bomba de calor ar-água de alto rendimento energético. Esta solução permite um consumo reduzido, distribuição homogénea de temperaturas e maior conforto para utilizadores e trabalhadores. A nível construtivo, a intervenção contempla a demolição da cobertura existente, de caixilharias, betonilhas e parte dos muros, seguida da reabilitação dos elementos estruturais que se mantêm e da execução de uma nova envolvente térmica. Esta envolverá muros de blocos pré-fabricados de madeira e palha, sistemas de isolamento térmico-acústico, novos painéis interiores e uma solera de betão com isolamento incorporado.
A nova cobertura será realizada com painéis sanduíche com núcleo isolante e acabamento exterior em chapa de alumínio, enquanto as novas caixilharias, também em alumínio, terão ruptura de ponte térmica e vidro duplo com gás árgon, reduzindo perdas energéticas e ganhos térmicos indesejados. O projecto inclui a renovação integral das redes de saneamento, electricidade, ventilação e climatização, bem como a incorporação de equipamento específico adaptado aos novos usos do edifício.
Em matéria de acessibilidade, a intervenção assegura o cumprimento integral da legislação em vigor. São definidos percursos horizontais acessíveis, a ligar todas as áreas do edifício entre si e com o exterior, livres de obstáculos, com dimensões adequadas, pendentes controladas e espaços de manobra suficientes. Estão ainda previstos sanitários adaptados e especial atenção a aspectos como iluminação, sinalização e pavimentos, de forma a garantir uma utilização inclusiva para todos os públicos.
Conclusão: um laboratório vivo de sustentabilidade em plena cidade
Com este novo centro de interpretação ambiental em El Retiro, Madrid transforma um espaço histórico de produção de plantas num laboratório vivo de sustentabilidade, onde se cruzam investigação, educação, memória e participação cidadã. A combinação de soluções construtivas de baixo impacto, sistemas eficientes de energia e água e um desenho inclusivo faz deste projecto uma referência para a reabilitação sustentável de edifícios públicos.
Acompanhe a evolução deste tipo de projectos e inspire-se para futuras intervenções em espaços verdes, edifícios públicos ou privados. Se trabalha em arquitectura, engenharia, gestão de espaços verdes ou políticas urbanas, considere integrar princípios semelhantes nos seus projectos e partilhe estas boas práticas com a sua equipa e comunidade.

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